sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Conto: A aranha

A aranha (conto) – Orígenes Lessa Resumido por Lual Cercando-o no corredor, perguntou o Enéias: Quer assunto para um conto? Sorrindo, respondeu: Não, obrigado! De outra vez, direi. Dá um conto fantástico. Apressado, pega o elevador. Surge um terceiro, prendendo-o à prosa. Um assunto interessante para um conto. Chegou a esboçá-lo. Finalmente, o Enéias inicia a história: Um tal de Melo, dono de uma grande Torrefação em São Paulo, que tinha uma ou várias fazendas no interior. Ele próprio lhe contou. Era também, um famoso violinista, um artista. Mas precisava ir embora. Tinha um encontro marcado. O resto da história ficaria para depois. Continuou o Enéias – A fazenda era em Alta Paulista. Passava temporadas sozinho num casarão desolador. Sua distração era o violão. Tocava A madrugada que passou, O luar do sertão, tudo que há por aí de modinha romântica. Tocava também os clássicos: Chopin, Beethoven ... Não estou inventando o que vou contar – Numa certa noite de luar, puxou o violão meio triste e tocou uma toada melancólica. A beleza das palmeiras, os reflexos da luz lunar, o vento sibilando nas frondosas copas das árvores e a fraca iluminação própria da fazenda completavam o ambiente. De repente, o Melo visualiza no chão, uma enorme caranguejeira. Cabeluda, horrível! Tentou matá-la, mas a bicha esperta fugiu e penetrou numa frincha da parede, entre o rodapé e o assoalho. Voltou a tocar. A aranha saiu do esconderijo e se aproximou dele. Tentou novamente, acertar-lhe um golpe. Mais uma vez, ela entra no buraco. Fica intrigado e recomeça a tocar. Três ou quatro vezes a cena se repete. Decidiu dormir. Era corajoso. Adormecera e acordara pensando na aranha. Andou o dia inteiro a cavalo. À noite, volta a tocar na expectativa de ver a bichona preta aparecer. Tocou emocionado como se tivesse um público à sua frente. O olho na fresta. E eis que a ouvinte apreciadora do som estava de volta. Parou de tocar, e ela, voltou a se esconder. E assim, foi unúmeras vezes. A aranha ficou famosa. Atraiu a vizinhança. Todos queriam ver curiosamente aquela cena. Lembrou que precisava voltar a São Paulo. Penalizado, pensou: “ O que seria dela, sem o seu violão?” Certa noite, apareceu um turista que não a conhecia. Hospedou-se com ele. Os dois conversavam animadamente sobre os negócios do sertão e, distraidamente, começou a tocar. O viajante arrepiado de pavor, os olhos arregalados, sem perceber o grito desesperado do violinista tentando detê-lo, com o seu sapatão esmaga a pobre aranha. Pálido e angustiado, olhava aquele bichinho preto – a sua amiguinha e companheira da música. Numa voz arrastada falou: Justamente, no momento em que eu tocava a sua preferida – Gavota de Tárrega.
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Passamos a tarde hoje na facul falando sobre este conto, fazendo um planejamento de 16 aulas encima do tema, a atividade proposta foi uma história em quadrinhos com lápis de cor e muita criatividade, amei!!!!!!!! Pena estar sem a máquina pra registrar o momento....